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Tendinopatia calcária: descubra o que é e como tratar.

Diversos problemas podem afetar os ombros, um deles é a tendinopatia calcária que, a seguir, você terá a oportunidade de conhecer melhor e tirar todas as suas dúvidas. Confira!

Tendinopatia calcária do ombro: o que é?

A tendinite nada mais é do que a inflamação dos tendões. No caso da tendinopatia calcária, o problema é o mesmo, porém, com um agravante: essa inflamação é causada pela formação de cristais de cálcio, que se depositam nos tendões do manguito rotador.

De forma geral, o corpo consegue absorver com facilidade o cálcio acumulado, evitando que muitas pessoas desenvolvam esse problema, conhecido também como tendinite calcificada. Quando isso não acontece, no entanto, o paciente passa a sofrer com os sintomas e, em alguns casos, precisa ser submetido a um procedimento cirúrgico para remover a calcificação.

Um ponto importante, porém, é que nem todas as pessoas que sofrem com a tendinopatia calcária apresentam dor ou outro tipo de sintoma. Uma pesquisa divulgada pela Revista Brasileira de Ortopedia revela que essa inflamação acomete 3% dos adultos e, dentre eles, um terço torna-se sintomático em até três anos.

A mesma pesquisa científica afirma ainda que a tendinite calcificada ocorre com maior frequência no tendão supraespinal e afeta mais mulheres do que homens, principalmente aquelas que têm entre 40 e 60 anos de idade.

 Causas da tendinopatia calcária

A origem da tendinopatia calcária ainda é pouco conhecida. A baixa irrigação sanguínea na região do manguito rotador, a degeneração dos tendões e alguns distúrbios metabólicos podem estar associados à deposição dos sais de cálcio, embora nenhuma delas tenha sido comprovada até o momento.

Além disso, fatores genéticos também podem contribuir para o desenvolvimento da inflamação, já traumas e acidentes – que são causas comuns para diversos problemas que afetam os ombros – não estão relacionados com o aparecimento da tendinopatia calcária.

Fases da calcificação

Como já foi dito anteriormente, a dor é um sintoma bastante comum da tendinite calcificada e a sua intensidade está diretamente relacionada à fase em que a calcificação do ombro se encontra. Ao todo, o processo possui três fases: pré-calcificação, calcificação e pós-calcificação.

Pré-calcificação :

Durante a fase inicial, já é possível encontrar alguns sais de cálcio nos tendões do manguito rotador, embora eles causem pouca ou nenhuma dor. Além disso, o paciente não apresenta nenhuma alteração no que diz respeito à mobilidade e à força do ombro. Conhecida como pré-calcificação, essa etapa do processo inflamatório pode durar meses ou até anos sem manifestar qualquer dano aparente.

Calcificação :

Já na segunda fase, é quando ocorre a reabsorção dos sais de cálcio, causando dor intensa e perda da capacidade funcional do ombro, o que significa que o paciente não consegue realizar certos movimentos com o braço. O que acontece na maioria dos casos é que, ao identificar esses sais de cálcio, o organismo passa a reagir a essa alteração, desenvolvendo um processo inflamatório e gerando, consequentemente, o incômodo.

Pós-calcificação:

Depois que esses sais estão completamente formados, inicia-se a pós-calcificação. Essa fase, também é marcada por bastante dor, fraqueza e dificuldade em movimentar o ombro. É importante salientar, porém, que nem sempre a tendinite calcificada apresenta esse mesmo padrão de sintomas.

Como é feito o diagnóstico da tendinopatia calcária?

Na fase inicial, a tendinopatia calcária costuma ser assintomática, o que não significa que ela não pode ser identificada através da realização de um exame de raio X, por exemplo. No entanto, não é comum que o problema seja diagnosticado nessa etapa de pré-calcificação, justamente pela falta de sintomas.

Já nas fases posteriores, os exames de imagem, como radiografia e ultrassonografia, são indispensáveis tanto para que o médico se certifique de que a tendinopatia calcária é a causa da dor quanto para que seja identificado com mais precisão em qual fase a doença se encontra.

Quais tratamentos são indicados?


Existem diversos tratamentos indicados para a tendinopatia calcária e o que vai definir qual deles é o mais adequado para cada caso é, principalmente, o quadro apresentado pelo paciente.

Quando o problema é descoberto ainda na etapa de pré-calcificação ou no início da segunda fase, é comum que sejam prescritos anti-inflamatórios, corticoides, anestésicos e analgésicos. Além disso, sessões de fisioterapia e repouso do braço também fazem parte do tratamento.

Para alguns pacientes, no entanto, essas alternativas não são suficientes para combater a dor causada pela tendinopatia calcária, principalmente, para aqueles que já apresentam um quadro mais avançado da inflamação.

Nesses casos, ondas de choque podem ser uma alternativa recomendada pelo médico. Esse é um tratamento não invasivo, que ajuda a “quebrar” a região calcificada, contribuindo para o alívio da inflamação e, consequentemente, para a recuperação do paciente.

Porém, há ainda uma porcentagem menor de casos que precisam recorrer a um procedimento cirúrgico para retirar o depósito de sais de cálcio responsável pela inflamação. Realizada por meio da artroscopia, a cirurgia trata-se, na verdade, de uma raspagem utilizada para eliminar toda a calcificação presente na região.

Artroscopia

Uma informação importante relacionada à realização da cirurgia é que nem sempre é possível fazer a retirada completa da calcificação. No entanto, isso não significa necessariamente que o paciente continuará sofrendo com os efeitos da tendinite calcificada. Afinal, há estudos que apontam que os cristais de cálcio residuais costumam ser reabsorvidos pelo organismo ainda no pós-operatório.

Em outras palavras, o que é fundamental entender é que, embora a retirada total da calcificação seja o ideal para um procedimento cirúrgico, ela não é indispensável para o tratamento da doença. Em todo o caso, o recomendado é sempre conversar com um especialista, que saberá indicar a melhor alternativa para tratar a tendinopatia calcária e, assim, obter o melhor resultado para que o paciente recupere a capacidade funcional do ombro e volte a ter qualidade de vida.

Dr Mauro Choi
Ortopedia e Traumatologia
Especialista em cirurgia de Ombro e Cotovelo
CRM-SP 146874 RQE 51757

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