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Deslocamento do ombro: esclareça as principais dúvidas

Muitas pessoas já sofreram ou já ouviram falar sobre o deslocamento do ombro, mas nem todas sabem o que causa esse problema e, principalmente, por que é tão comum que ele volte a acontecer depois da primeira lesão. A seguir, essas e outras perguntas serão respondidas. Confira!

Deslocamento do ombro: o que é?

O deslocamento do ombro ocorre quando há a perda de contato entre as duas partes da articulação glenoumeral, que é formada pela cabeça do úmero e pela cavidade glenoidea.

Articulação Glenoumeral

Também conhecida como luxação, essa lesão pode atingir tanto o ombro esquerdo como o ombro direito do paciente, bem como pode ser apenas parcial, ou seja, a articulação pode não sofrer uma perda de contato total. Esses casos são conhecidos como “subluxação do ombro”.

O deslocamento da cabeça do úmero pode acontecer para frente (que recebe o nome de luxação anterior), para trás (luxação posterior) e também para baixo (luxação inferior). Segundo dados divulgados pela MDS – empresa farmacêutica, química e de ciências biológicas de alcance global – a luxação anterior é a mais comum, representando 95% dos casos registrados, enquanto a inferior é a mais rara.

tipos de luxação

No entanto, é importante destacar que, embora o deslocamento do úmero seja o mais comum, ele não é o único que pode acontecer. Afinal, além da articulação glenoumeral, o ombro ainda possuiu outras articulações acessórias, que também podem sofrer luxação, são elas: a articulação acromioclavicular e a articulação esternoclavicular.

Causas e reincidências

O ombro é deslocado quando uma grande força puxa, empurra ou torce ele subitamente para fora, para cima ou para trás. Normalmente, isso acontece quando o paciente sofre uma queda ou acidente de carro, por exemplo. Além disso, esse é um problema bastante comum entre atletas, principalmente aqueles que praticam esportes que utilizam muito o braço, como jogadores de basquete e handebol.

O que acontece é que ombro é a articulação mais móvel do corpo – característica que é garantida pela baixa contenção óssea presente nessa região. Na prática, isso significa que, para se manter no lugar, o ombro depende da musculatura e de outras estruturas moles, como os ligamentos, vasos sanguíneos, tendões e nervos, por exemplo.

Sendo assim, quando a articulação sofre um deslocamento, esses tecidos moles acabam rasgando – especialmente uma região denominada lábio glenoidal – e se tornando mais frouxos. É por isso que é comum que, depois da primeira luxação, o paciente volte a sofrer com essa lesão em outros momentos, pois a capacidade de contenção dos tecidos diminui. Essa reincidência é conhecida como luxação recidivante.

Sinais e sintomas da luxação de ombro

Os sintomas mais característicos da luxação é a dor intensa, a incapacidade para realizar movimentos com o braço lesionado e a deformidade do ombro, que perde a forma arredonda devido ao deslocamento do úmero. Além disso, é possível notar também um inchaço na região, além de hematomas, vermelhidão, dormência, fraqueza e formigamento no ombro, pescoço e braço.

Esses sintomas são mais comuns nas primeiras vezes em que o deslocamento acontece. Pacientes que sofrem com esse problema recorrentemente, como atletas, por exemplo, costumam apresentar menos dor e alguns até conseguem recolocar o ombro no lugar sozinhos, justamente porque os tecidos da região já estão mais frouxos e facilitam esse movimento.

Esse, porém, não é o procedimento correto a ser seguido. O mais indicado é que o paciente busque a ajuda de um médico especialista para confirmar se a lesão se trata realmente de uma luxação e se não há sinais de um dano mais grave.

Como é feito o diagnóstico do deslocamento do ombro

Um médico consegue identificar um deslocamento de ombro com bastante facilidade, já que os sintomas dessa lesão são bem característicos. Ainda assim, é importante que seja realizada uma radiografia, antes que a articulação seja recolocada no lugar, uma vez que a luxação pode estar associada a algum tipo de fratura.

Depois que o ombro é reposicionado pelo especialista, pode ser solicitada também uma ressonância magnética para avaliar se não há outros tipos de problemas, como a lesão Bankart, que afeta o lábio anterior da glenoide; a lesão de Hill-Sacks, que atinge a cabeça do úmero; ou ainda a lesão do manguito rotador.

Tratamento

Depois dos exames mencionados acima e a confirmação de que não há outros tipos de lesões associados, o primeiro passo é colocar o ombro no lugar, processo que recebe o nome de “redução do ombro”.

Em seguida, deve-se imobilizar o ombro lesionado com a utilização de uma tipoia, que mantém o membro superior junto ao corpo, evitando não apenas a realização de movimentos, mas protegendo também a articulação até que se recupere bem.

Também faz parte do tratamento, a prescrição de anti-inflamatórios e analgésicos, além da aplicação de gelo, para aliviar a dor típica dos primeiros dias após a lesão. Já depois que a etapa de imobilização é concluída, período que leva normalmente duas semanas, é recomendado fazer fisioterapia, a fim de fortalecer a musculatura e recuperar a amplitude e mobilidade do ombro.

Em alguns casos, porém, esse tratamento não é suficiente e se torna necessário realizar um procedimento cirúrgico para corrigir e evitar que a lesão volte a acontecer. Normalmente, ele é realizado em pessoas que já tiveram vários episódios de luxação. Nessa situação, são indicadas duas alternativas diferentes: a cirurgia de reparo do labrum ou o enxerto ósseo.

O primeiro procedimento é realizado por artroscopia e tem como objetivo reparar a cápsula articular e o labrum (partes moles do ombro), que se tornam frouxos devido à recorrência da lesão. Nesse tipo de cirurgia, são utilizados implantes, que recebem o nome de âncora e ficam presas nas bordas da glenoide. Essas âncoras possuem fios de sutura, que são utilizados para fixar o labrum e tensionar a cápsula articular.

Já o enxerto ósseo, conhecido também como procedimento de Latarjet, é indicado, normalmente, para pacientes que tiveram casos de luxação recidivante e que apresentam uma lesão óssea na borda da glenoide, facilitando para que novos casos de deslocamento aconteçam.

A cirurgia consiste em um utilizar um pequeno fragmento de osso da escápula para corrigir o defeito ósseo da glenoide. O enxerto é feito por meio da utilização de parafusos e tem altos índices de sucesso, embora possa dificultar a realização de alguns tipos de movimentos.

Dr Mauro Choi
Ortopedia e Traumatologia
Especialista em cirurgia de Ombro e Cotovelo
CRM-SP 146874 RQE 51757

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